Morbidade |
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Persistindo como uma das mais importantes fontes de informação sobre saúde, os dados de mortalidade foram historicamente os primeiros a constituir indicadores de saúde válidos e extensa e intensamente aplicados. A importância destes dados foi reconhecida antes do desenvolvimento do conceito de saúde pública, já nos séculos XVI e XVII e por muito tempo a caracterização da saúde das populações se baseou essencialmente nas informações derivadas dos óbitos (OPS, 2002). No entanto, a mortalidade deixou, cada vez mais, de dar conta do espectro total dos problemas de saúde que afetam as populações em decorrência do declínio intenso das taxas e da mudança do perfil de morbidade. Esta nova situação requer que indicadores de morbidade, de prevalência e incidência de doenças e lesões, e de prevalência de deficiências físicas sejam obtidos para que o estado de saúde das populações possa ser aquilatado. Indicadores que levem em conta as comorbidades são necessários para avaliar o impacto de morbidades múltiplas presentes nos indivíduos (Charlson, 1994). Mas, a presença da doença ou de seu diagnóstico não é suficiente para caracterizar o grau de saúde dos pacientes e das populações, nem de detectar a magnitude do impacto que as patologias prevalentes acarretam na vida das pessoas e das coletividades. Medidas de limitações e de incapacidades provocadas pelas doenças passam a ser fundamentais para medir o estado de saúde. O desenvolvimento de indicadores da preservação das atividades da vida diária permitem mensurar, para além da presença de doenças e diagnósticos, o significado e efeito da doença no cotidiano das pessoas (incluindo activities of daily living (ADL) e instrumental activities of daily living (IADL). Os instrumentos se diferenciam entre os que objetivam a avaliação global do estado de saúde e aqueles dirigidos a mensurar dimensões específicas: bem estar psíquico, bem estar social, dor, incapacidades para atividades da vida diária, etc.(McDowell & Newell ,1996). Amplia-se, assim, o elenco de instrumentos voltados à mensuração do estado de saúde. As várias dimensões da qualidade de vida em saúde passam a ser escrutinadas e quantificadas com instrumentos validados e traduzidos para diferentes idiomas. Entre os instrumentos para avaliação global da qualidade de vida em saúde alguns passam a ter utilização mais ampla como o WHOQol extenso (WHOQOL group, 1998), o WHOQol abreviado, (ambos já com versão em português e aplicados no Brasil) e o SF36 (Short Form 36) também já validado, traduzido e aplicado no Brasil (Ciconelli, 1997). Os instrumentos para a avaliação global da saúde possibilitam ou a geração de um índice único ou de vários índices que mensuram diferentes dimensões do estado de saúde produzindo um perfil de estado de saúde como o MOS 36 item Short Form (SF36), por exemplo (McDowell & Newell ,1996). No quadro 8.4 estão listados os indicadores na forma como foram propostos pelos diversos países, e que, evidentemente, destacam aqueles problemas de saúde considerados como de maior prevalência, ou gravidade, ou transcendência na sua população. Sugere-se que seria interessante trabalhar com indicadores globais de base populacional e alguns indicadores relacionados à atenção básica tendo como referência a definição mais recente do PACTO, em que estão destacados os problemas de saúde selecionados pelos gestores brasileiros como prioritários (Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Hipertensão, Diabetes, Tuberculose, Hanseníase, Saúde Oral).
Quadro 8.4 - Revisão de literatura de indicadores de determinantes comportamentais e biológicos e sugestões de indicadores propostos pelo projeto.
Fontes:AIHW 2002; Brasil/MS 2003; CIHI 2002; UK/NHS 2001.
Caso se optasse por utilizar indicadores utilizados por outros países, inquéritos episódicos sobre Hipertensão arterial e Diabetes, poderiam ser utilizados como fontes de dados para estimar a prevalência dessas condições. Indicadores de morbidade referida poderiam ser obtidos através de suplementos de saúde da PNAD de 1998 e da Pesquisa Mundial de Saúde. |